quinta-feira, 5 de julho de 2012

Poema de Pedro Oliveira (em articulação com o projeto "Escribomanias")


Borboletas e lagartas

As borboletas interrogativas
Voam sem parar
mas primeiro são lagartas
que comem até se cansar.

Estas lagartas
são lindas de pasmar
algumas são bonitas
outras de arrepiar.

Enrolam-se em seda
na fase de crisálidas,
ficam tão brancas
que até parecem pálidas.

Quando são borboletas
são de diferentes cores
mas eu gosto delas
porque parecem flores.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

O Mistério do Jorge (não aconselhado a pessoas sensíveis)


      
É fantástico a quantidade de mistérios que existem, por desvendar, nos nossos jardins.
Desta vez foi o Jorge que trouxe um "arni" (animal rastejante não identificado) para a sala de aula. Media, aproximadamente, 3 milímetros e tanto se assemelhava a uma pequena lesma como a uma lagarta na fase inicial do seu desenvolvimento. Era branco e tinha uma risca avermelhada que atravessava o seu corpo, longitudinalmente. 
Fiquei de tentar averiguar o que seria e... foi fácil!
Depois de uma breve pesquisa na internet descobri que se tratava de um Dactylopius coccus, mais conhecido por cochonilha. Dentro da classe dos insetos, as cochonilhas são classificadas na ordem Hemiptera (são conhecidas mais de 67.500 espécies desta ordem), sendo parentes próximas das cigarras e dos pulgões. Medem entre 2 a 5 milímetros e a sua coloração pode ser branca, bege, avermelhada ou esverdeada.

A morfologia de fêmeas e machos é absolutamente distinta. As fêmeas não têm asas, nem pernas, sendo que, por isso, vivem permanentemente no mesmo local. Possuem aparelho bucal sugador que lhes permite sugar os nutrientes de que se alimenta das plantas hospedeiras. O seu corpo é coberto por uma substância cerosa. Os machos têm asas e parecem pequenos mosquitos. Multiplicam-se rápida, e abundantemente, por meio de ovos que originam larvas e, posteriormente, novas cochonilhas. O seu predador natural é a joaninha.
Apesar da sua pequena estatura, estes insetos podem fazer grandes estragos nos jardins e nas produções de frutos cítricos ( plantas que apreciam muito, além dos catos). Sendo sugadores de seiva, retiram nutrientes essenciais das plantas. Para além disto, a cera que segregam diminui a capacidade fotossintética das plantas e ainda facilita o ataque de fungos. Podem constituir verdadeiras pragas, o que lhes rende muitas inimizades.
E pronto, mais um mistério resolvido... ou talvez não...
Algumas considerações secundárias que me foram surgindo, enquanto obtinha mais informação sobre estes seres vivos, deixaram-me  intrigada e assim... resolvi aprofundar a minha pesquisa.
Com o que descobri nas consultas que fui fazendo na biblioteca universal, que é a internet, fiquei admirada, estupefacta e até... chocada. Pensei se deveria, ou não, publicar aqui o que tanto me espantou e decidi... que sim. Eu gosto de saber de que é feito, e de onde veio, tudo o que compro e consumo. Acho que isso me torna mais capaz nas minhas escolhas. Mas, de facto, as letrinhas pequeninas das embalagens de alguns produtos, nomeadamente alimentares e cosméticos, nem sempre são legíveis sem lupa. E, quando o são, revelam-se tão estranhas e dúbias que fico a saber quase o mesmo. Acredito que os meus alunos do 5.º G. que durante este ano letivo, evoluíram tanto e revelaram uma crescente consciência cívica, também sentem o mesmo. Quanto mais não seja, por serem tão positivamente curiosos e quererem saber sempre um pouco mais do mundo que os rodeia.
Assim, se ainda me estás a ler e tens um estômago sensível, o melhor é passares diretamente para a página "Borboletário" ou "Papilio machaon", onde encontrarás imagens lindíssimas e informação fascinante. Até breve!!!
...
E tu? Continuas aí?! Boa, então vamos lá... e prometo não te esconder nada!
A cochonilha é conhecida desde as civilizações Asteca e Maia, populações que viviam antigamente no atual México. Estes povos apreciavam cores fortes e vibrantes e o seu vestuário traduzia isso mesmo.
Povo Asteca
Povo Maia
Imagens de Phillip Martin
Ora, naquele tempo não existiam tinturarias, logo, onde iriam buscar os tintos que utilizavam? É fácil! Tudo o que necessitavam era retirado da natureza e assim usavam plantas, flores e... cochonilhas.
De facto, quando se sentem ameaçadas, as fêmeas desta espécie produzem ácido carmínico, substância com uma acentuada tonalidade vermelha / carmim. Este pigmento também pode ser encontrado nos ovos da mesma espécie. Os astecas, e os maias, esmagavam estes pequenos insetos e obtinham um corante que utilizavam para conferir a cor vermelho escuro ao seu vestuário e às suas pinturas.
             
Mas isso era antes e agora... pois... agora... é quase a mesma coisa!
Os tempos, bem como a história das civilizações antigas, foram evoluindo e as utilizações do corante cochonilha também. Passou a ser utilizado na cosmética e na alimentação humana, para conferir aos alimentos o tom vermelho, tão apelativo para os consumidores.

Durante o período colonial mexicano, em que a Espanha regia este país, a produção de corante cochonilha cresceu rapidamente, tornando-se o segundo produto mais exportado pelo México, superado apenas pela prata. O corante era utilizado em larga escala na Europa e o seu valor era tão alto no mercado industrial que o seu preço chegou a ser negociado na Bolsa de Mercadorias de Londres e Amesterdão.    
Após a Guerra da Independência do México, entre 1810 e 1821, o monopólio da produção de cochonilha chegou ao fim. Produções em larga escala começaram a ser feitas noutros locais. A demanda por cochonilha diminuiu ainda mais com o aparecimento dos corantes sintéticos. Isto representou um grande choque para a Espanha, que além de perder a sua maior colónia na América, viu diversas fábricas produtoras de corante cochonilha falirem por não conseguirem competir com o seu processo praticamente artesanal.
Devido à forte concorrência dos produtos industrializados, a produção deste corante praticamente parou durante o século XX e foi mantida apenas com o propósito de manter a tradição indígena mexicana.
Parecia o fim do corante cochonilha, mas, novas descobertas voltaram a alterar o rumo dos acontecimentos. Os corantes sintéticos, agora amplamente utilizados, foram alvo de estudos científicos que concluíram que poderiam ser tóxicos ou cancerígenos e assim... voltou-se ao velhinho corante cochonilha, ainda que não com a mesma pacificidade.
O corante cochonilha é utilizado, na alimentação humana, para colorir produtos tão diversos como geleias, chãs, doces, bebidas, sorvetes, sumos, presuntos, mortadelas, salsichas e produtos lácteos.
É tão eficaz que apenas 10 gramas de corante conseguem colorir 100 quilogramas de produto, mas, também é facto que para obter uns míseros 450 gramas de corante é necessário matar e esmagar, aproximadamente, 70.000 cochonilhas.
Atualmente as pessoas são mais informadas e conscientes dos seus direitos e deveres e a exploração deste animais levanta muitas questões.
Primeiro, relativamente aos seus riscos para a saúde. O Grupo de Apoio às Crianças Hiperativas (Hyperactive Children's Support Group) recomenda eliminar os produtos que contêm esse corante da dieta das crianças com tal problema, por existirem fortes indícios de que potenciam as dificuldades e alterações observadas. Também é apontado como causa de alergias diversas e perturbações digestivas na população em geral.
Depois das questões de saúde existem muitas questões éticas. Organizações de defesa dos direitos dos animais (sim, é muito pequenino mas também é uma animal que merece ser defendido) e pessoas adeptas do vegetarianismo criticam a prática de obtenção do corante a partir do inseto cochonilha. Tais grupos alegam que é antiético, cruel e fútil o fato de matar milhões de animais para tal finalidade. São muito frequentes as campanhas para divulgar o processo de fabricação do corante carmim e promover o boicote aos produtos que o contêm. E além do mais, é um facto que existem muitos corantes naturais vegetais, e muito mais éticos, feitos com extratos de plantas como beterraba ou paprica. Porque não utilizar estas alternativas?
Para terminar a argumentação, eu também não quero comer CORPOS DE INSETOS ESMAGADOS! Isso é NOJENTO !!!
Agora que já sabes do que se trata, podes fazer escolhas mais conscientes e decidir o que, de facto, queres valorizar. Assim, se não desejas pactuar com este negócio e/ou se não queres continuar a comer insetos esmagados, deves ler atentamente os rótulos dos produtos com cores avermelhadas. Uma coisa é certa: nenhuma empresa vai escrever, preto no branco, o que coloca nos produtos que vende se houver a mínima possibilidade de que isso faça os clientes rejeitarem esse mesmo produto. Por este motivo, disfarçam o nome deste "ingrediente" com outros sinónimos. Tens de estar com muita atenção e excluir os produtos que apresentem as seguintes denominações: "Vermelho 4", "Vermelho 3", "Carmim", "Cochineal", "Corante natural ", "Corante natural carmim de Cochonilha", "Corante C.I" e "Corante ou Colorizante E120" .
            Só depende de ti!!!
Professora Beatriz Alves

terça-feira, 5 de junho de 2012

Alegria a Duplicar

... e quando parece impossível ficar ainda melhor... não é que fica mesmo?! 
Ontem recebemos, com muito agrado a visita, e o comentário, de David Marçal. Hoje, tivemos o prazer de ler um comentário de Carlos Fiolhais, o outro autor do livro "Darwin aos Tiros e outras histórias de ciência", relativo ao nosso projeto.
É mesmo uma honra e imensa alegria! Aliás, até já é difícil terminar a lecionação dos conteúdos letivos: os nossos alunos estão tão radiantes que se torna difícil mantê-los concentrados... o brilho nos seus olhos até nos ofusca!
Para melhor facilitar a consulta a quem quiser ver o comentário, cá fica o link direto:
         comentário:
 
http://borboletasinterrogativas.blogspot.pt/p/textos-alterados.html

Para terminar, todos os alunos e professores intervenientes, agradecem a Carlos Fiolhais a delicadeza que nos ofereceu. Sabemos que estes autores são pessoas muito solicitadas e constatar que nos cederam um pouco do seu precioso tempo constitui uma verdadeira honra e um claro incentivo. Bem hajam!!!
 Equipa Pedagógica

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Uma Grande Honra

Há dias assim... 
Este projeto tem dado muitas alegrias, mais do que à partida imaginávamos.... mais do que poderíamos prever e hoje... bom, hoje foi um dos momentos altos de todos os intervenientes nas atividades realizadas.
Hoje, fomos presenteados com um comentário de David Marçal, um dos autores do livro "Darwin aos Tiros e outras histórias de ciência". Enfim, faltam palavras...
Confesso que hoje, na aula com os alunos do 5.ºG, os grandes obreiros deste projeto, de pouco mais se falou para além desta novidade. E que orgulhosas estão estas crianças... e que orgulhosos estamos nós, os professores intervenientes. Como dizia uma das alunas, é o sentir que todo o trabalho foi recompensado! É mesmo isso... apesar de este projeto ter uma finalidade específica e não depender de apreciações exteriores, este comentário teve mesmo um sabor muito especial... se bem que, no fundo, os escritores Carlos Fiolhais e David Marçal não são pessoas exteriores ao projeto: são intervenientes ativos no mesmo, uma vez que tudo partiu da exploração da sua obra.
É de salientar a simpatia e a cordialidade de David Marçal em visitar-nos e deixar um comentário, mas... ainda mais do que isso... muito mais... Este investigador teve  a imensa amabilidade de nos enviar um texto, não publicado, que esteve para fazer parte do livro. É quase um exclusivo!!! Bom... foi a cereja no topo do bolo... ou melhor, do blogue...
Quem disse que alunos tão novos não se interessavam por textos científicos ou por cientistas? Nós não... Foi bom de ver o entusiasmo dos nossos discentes enquanto liam o texto que lhes foi enviado. Ficamos a pensar que ficou ali um "bichinho" e que ainda vão sair desta turma algumas individualidades no mundo da ciência. O tempo o dirá...
Para melhor facilitar a consulta a quem quiser ver o comentário, ou o texto, cá ficam os links diretos:
         comentário:
         texto:
Para terminar, todos os alunos e professores intervenientes, agradecem a disponibilidade de David Marçal e... aguardam ansiosamente novas visitas.

Equipa Pedagógica

terça-feira, 29 de maio de 2012

Mensagens subliminares??? (2)


            Lindo dia soalheiro... cheiro a relva recém cortada e a flores a florir.... Estava eu ao portão da garagem, novamente em casa dos meus pais, a tentar explicar à minha ascendência, e à minha descendência, onde se podem encontrar crisálidas, na natureza. E dizia eu que se podem encontrar em qualquer lado, até mesmo ali, na garagem. Enquanto falo, levanto os olhos para o cimo do portão e... lá estava ele: um pequeno e belo embrulho com promessas de mistério. Fantástico... nem de propósito... mas, o que seria? Observei minuciosamente a crisálida. Era diferente das outras que já tinha visto. O meu pai vaticinou uma vulgar "borboleta das couves"... Até poderia ser, mas não a podia deixar ali... a curiosidade fazia-me cócegas nas pontas dos dedos e tinha mesmo de averiguar. 


            Levei-a para casa e destinei-lhe uma caixinha só para ela. E ali ficou... até ontem. Quando cheguei, contaram-me que se tinha dado um "nascimento" e que era melhor ir verificar. Fiquei, de novo, atarantada. Mas o que era aquilo? Borboleta das couves não era com certeza. Como é possível? Era uma borboleta muito semelhante à Papilio machaon, mas que eu nunca tinha visto assim, ao vivo e a cores. Era uma Iphiclides feisthamelii... E tão bonita que era, com as suas asas com riscas de zebra.
            Fiquei a pensar o quanto sou distraída... Se era uma Iphiclides feisthamelii, então já passeou ali pelos canteiros, no meio das folhas e flores, uma pequena lagarta de aspeto fenomenal...
http://4.bp.blogspot.com/_D095KzSt4Iw/Sr_U42jPbyI/AAAAAAAARGw/qEzx9tmO56w/s1600/AA0_4529.JPG

                 E eu que não dei por ela!!!
             Libertei-a num vaso florido e ela esticou as magníficas asas e fez aquilo que melhor sabe fazer: voou deslumbrando todos os que têm o prazer de a observar, fazendo parar o tempo.

 
 








 
 Professora Beatriz Alves

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Mensagens subliminares??? (1)


            Há coisas curiosas...
        Desde a minha infância que não me recordo de ver Papilio machaon a voarem pelos canteiros e jardins... pelo menos, não na mesma proporção.
            Há uns dias, estava no escritório em casa dos meus pais, com a janela aberta e cortinas corridas e... eis que ela apareceu. Entrou pela janela, de mansinho mas sem tão pouco pedir permissão. Pousou-me na mão e deixou-me toda atarantada. Poderia lá ser. Mas era e as fotografias que tirei com o telemóvel que tenho sempre ali, junto da outra mão, comprovam-no: uma Papilio machaon atrevida e brincalhona que ousou entrar no meu mundo... talvez para me lembrar que devemos ter cuidado com as delicadas habitantes do mundo dela.
Professora Beatriz Alves

terça-feira, 15 de maio de 2012




Dado o interesse de muitos alunos nas lagartas e no aspeto exótico de algumas delas, cá fica mais um vídeo...
Espero que gostem!!!

Professora Beatriz Alves